Belas: A Nossa Terra

Belas é mais do que um lugar no mapa. É uma terra com memória, identidade e profundidade histórica, onde o passado continua a dar sentido ao presente e onde a força da sua herança se projeta naturalmente no futuro. Falar de Belas é falar de uma vila com raízes antigas, de uma comunidade com personalidade própria e de um território que, apesar das transformações administrativas e urbanas ao longo do tempo, preserva uma singularidade que importa reconhecer, valorizar e afirmar.

Com uma área de 21,89 km², Belas apresenta uma dimensão territorial que traduz bem o equilíbrio entre proximidade, coesão e diversidade. Em 2011, registava 26.089 habitantes, valor que continua a constituir a referência estatística mais fiável para a caracterização autónoma da vila, uma vez que os Censos de 2021 foram realizados de forma agregada com Queluz, não permitindo refletir com rigor a realidade específica de Belas. Este dado não é apenas um número: representa uma comunidade viva, feita de gerações, de famílias, de histórias e de um sentimento de pertença que atravessa o tempo.

A história de Belas é, por si só, motivo de orgulho. Habitada desde tempos pré-históricos, entre 40.000 e 30.000 a.C., esta terra inscreve-se entre os espaços de ocupação humana mais antigos do território português. A sua trajetória cruza-se, de forma notável, com os primeiros momentos da construção da nacionalidade. Após a conquista de Lisboa, em 25 de outubro de 1147, Belas e Sintra rendem-se a D. Afonso Henriques, num episódio que liga diretamente esta terra aos acontecimentos fundadores do Reino. Em sinal de reconhecimento pelos serviços prestados, o monarca doa as terras de Belas e Atouguia ao cruzado Robert Lacorne, gesto que testemunha a relevância estratégica e política que Belas já então assumia.

Ao longo dos séculos, as terras de Belas permaneceram sob domínio senhorial, quer da nobreza, quer da Casa Real, até 1501, altura em que se constitui como Concelho Senhorial, com juiz nomeado pelo Rei. Este estatuto traduz a importância administrativa e institucional que Belas alcançou numa fase decisiva da sua evolução histórica. Mais tarde, com a Lei de 19 de junho de 1790, as jurisdições dos donatários são extintas, passando Belas a município com administração nomeada pelo Rei, reforçando assim a sua centralidade político-administrativa.

Belas foi sede de concelho até 24 de outubro de 1855, dispondo então de uma área de 49 km², mais do dobro da atual. Esse facto revela a dimensão e a influência territorial que a vila deteve durante largos anos. A integração no concelho de Sintra, já na condição de freguesia, marcou uma nova etapa da sua história, acompanhada por sucessivas perdas de território para freguesias vizinhas e para a criação de novas unidades administrativas, como Queluz (1925), Agualva-Cacém (1953), Casal de Cambra (1997), Massamá (1997) e Monte Abraão (1997). Apesar dessas transformações, Belas nunca perdeu a sua identidade. Pelo contrário, soube manter o seu carácter, a sua memória e a consciência do seu valor histórico e comunitário.

No plano regional, Belas distingue-se por uma localização verdadeiramente privilegiada. A vila conjuga de forma rara a serenidade do campo com a proximidade estratégica a alguns dos principais polos da região, nomeadamente Lisboa, Sintra, Oeiras, Cascais e Mafra. Esta posição oferece o melhor de dois mundos: por um lado, um ambiente mais tranquilo, marcado por uma relação próxima com o território e com a sua vivência local; por outro, uma ligação facilitada aos principais centros urbanos, económicos e institucionais da Área Metropolitana. É precisamente nesta combinação entre autenticidade, centralidade e qualidade de vida que reside uma parte essencial do valor de Belas.

Belas é, assim, uma terra de história longa, de identidade resistente e de importância inegável. É uma vila que merece ser olhada não apenas pelo que foi, mas também pelo que continua a ser: um espaço de pertença, de memória e de futuro. Valorizar Belas é reconhecer a dignidade do seu percurso, a riqueza do seu património e a força da sua comunidade. É afirmar, com convicção, que Belas não é apenas parte de uma geografia administrativa — é, verdadeiramente, a nossa terra.